Contrato e termo de responsabilidade para hospedagem de pets: o guia completo
O que precisa constar no contrato de hospedagem de pets: dados, autorizações, saúde, política de cancelamento e emergências. Modelo comentado item a item.

Combinar tudo "no WhatsApp" funciona até o dia em que algo sai do previsto: o pet adoece, o tutor atrasa a retirada, aparece uma cobrança inesperada. Um documento simples e bem escrito protege os dois lados e, principalmente, evita que a relação de confiança se desfaça num mal-entendido. Este guia mostra o que deve constar no seu contrato de hospedagem e por que cada item importa.
Não é sobre burocracia nem sobre desconfiar do cliente. É sobre deixar combinado, por escrito, aquilo que todo mundo prefere não precisar discutir depois.
Por que ter um contrato
Três motivos práticos:
- Clareza. O tutor sabe exatamente o que está contratando, por quanto tempo e por qual valor.
- Segurança jurídica. Se houver um problema sério, existe registro do que foi combinado e autorizado.
- Profissionalismo. Um documento organizado transmite seriedade antes mesmo da primeira diária — e é um diferencial em relação a quem só improvisa.
1. Identificação das partes
Comece com o básico, sem economia de dados:
- Do prestador: nome/razão social, CPF ou CNPJ, endereço do local de hospedagem, telefone e e-mail.
- Do tutor: nome completo, CPF, endereço, telefone principal e um contato de emergência alternativo (alguém que responda se o tutor estiver viajando ou sem sinal).
O contato de emergência é um dos campos mais negligenciados e um dos mais importantes. Se o tutor embarcou num voo de 10 horas e o pet precisa de atendimento, você precisa de alguém para acionar.
2. Identificação do animal
Descreva o pet de forma que não haja dúvida sobre quem foi hospedado:
- Nome, espécie, raça, porte, idade e sexo.
- Se é castrado, se tem microchip (e o número).
- Sinais particulares (cor, marcas, cicatrizes).
Vale anexar fotos da chegada. Elas registram o estado do animal no momento da entrega e evitam discussões futuras sobre um machucado que já existia — ou não.
3. Serviço contratado, período e valores
Aqui é onde a maioria dos conflitos nasce. Especifique:
- Qual serviço: creche (diária), pernoite, pacote.
- Data e horário de entrada e de saída, com tolerância definida.
- Valor total, forma de pagamento e vencimento.
- Acréscimos: fins de semana, feriados, serviços extras (banho, transporte, medicação).
- Regra de atraso na retirada: cobrança de diária adicional a partir de quantas horas? Deixe explícito. É o item que mais gera atrito quando não está escrito.
4. Saúde, vacinação e alimentação
Condicione a hospedagem a requisitos claros de saúde — isso protege todos os animais do seu espaço:
- Vacinas em dia (com comprovante) e vermifugação recente.
- Ausência de doenças infectocontagiosas no momento da entrada.
- Histórico de saúde: alergias, doenças crônicas, cirurgias, restrições.
- Medicações: nome, dose, horário e forma de administrar — sempre por escrito, nunca "de cabeça".
- Alimentação: o tutor traz a ração de costume? Em que quantidade? Trocar a comida de repente é causa comum de problema digestivo.
Deixe registrado que informações omitidas pelo tutor sobre a saúde ou o comportamento do animal são de responsabilidade dele.
5. Autorização veterinária de emergência
Esta cláusula é indispensável. Ela deve prever:
- Autorização expressa para levar o pet ao veterinário em caso de emergência, quando o tutor não puder ser contatado a tempo.
- Qual clínica será usada (a sua de confiança ou a do tutor).
- Limite de gasto que você pode autorizar sem nova consulta ao tutor, e como esse valor será reembolsado.
Sem isso, você fica numa posição difícil: agir e discutir a conta depois, ou esperar uma resposta que pode não vir.
6. Comportamento e convivência
Descreva com honestidade como funciona o seu espaço e o que se espera do animal:
- Se a hospedagem é coletiva ou individual, e como é feita a socialização.
- O direito de separar ou isolar um animal que apresente agressividade, para segurança de todos.
- O que acontece se o comportamento inviabilizar a estadia: contato imediato com o tutor e retirada antecipada, com regra de reembolso definida.
Prever o cenário ruim não é pessimismo — é o que permite agir rápido sem parecer arbitrário.
7. Política de cancelamento e remarcação
Defina de forma simples e justa:
- Cancelamento com X dias de antecedência: reembolso integral.
- Entre X e Y dias: reembolso parcial (defina o percentual).
- Em cima da data ou não comparecimento: sem reembolso, ou crédito para uso futuro.
Combinar isso antes evita a conversa mais desconfortável do ramo. E, na prática, uma política clara reduz cancelamentos de última hora.
8. Uso de imagem
Se você publica fotos dos hóspedes nas redes sociais — e a maioria publica —, peça autorização de uso de imagem em cláusula separada, com a opção de o tutor recusar. É respeitoso e evita problemas.
9. Proteção de dados (LGPD)
Você coleta dados pessoais do tutor e informações do animal. Informe:
- Quais dados são coletados e para qual finalidade.
- Que eles não serão compartilhados com terceiros sem necessidade ou autorização.
- Como o tutor pode solicitar correção ou exclusão dos dados.
Uma cláusula curta e honesta já cumpre bem esse papel para um negócio pequeno.
10. Assinatura e via para as partes
Feche com data, local e assinatura dos dois lados. Hoje, assinatura digital ou aceite eletrônico registrado resolve — e é bem mais prático do que papel. O importante é existir registro do aceite, com data e hora.
Como transformar isso em rotina (e não em papelada)
Um contrato só funciona se for usado sempre. Algumas ideias que tornam isso leve:
- Padronize. Um único modelo, usado com todo mundo, sem exceções.
- Envie junto da confirmação da reserva, não no dia da entrega — o tutor tem tempo de ler com calma.
- Peça as informações de saúde antes, não na porta, quando todos estão com pressa.
- Documente a chegada com fotos e observações. Isso vale mais do que qualquer cláusula.
Ferramentas feitas para o ramo ajudam nessa parte: no AuGendaFolio, por exemplo, o cadastro do pet, o checklist do que o tutor deve levar e o check-in com fotos e assinatura ficam registrados junto de cada reserva — então o "combinado" não se perde numa conversa antiga.
Um aviso necessário
Este texto é um guia prático baseado na experiência do dia a dia de estabelecimentos pet, e não substitui orientação jurídica. Cada negócio tem particularidades, e vale pedir a um advogado para revisar o seu modelo antes de adotá-lo — é um investimento pequeno perto da segurança que traz.
O melhor contrato é aquele que você nunca precisa usar. Mas, no dia em que precisar, vai fazer toda a diferença.
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