CFMV assina Compromisso Cidadão com o TCU: o que a fiscalização veterinária mais transparente significa para tutores e petsitters
CFMV adere ao Compromisso Cidadão do TCU até 2028. Veja o que isso sinaliza e o que tutores, petsitters, creches e hotéis podem fazer desde já.

No dia 7 de outubro de 2026, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) assinou, em Brasília, a adesão ao Compromisso Cidadão, uma iniciativa voluntária do Tribunal de Contas da União (TCU) para melhorar a gestão de órgãos públicos e conselhos profissionais. O termo vale por dois anos, de 7 de outubro de 2026 a 6 de outubro de 2028, e o CFMV é um dos três conselhos-piloto, ao lado dos sistemas de Enfermagem e de Engenharia e Agronomia.
À primeira vista parece assunto de bastidor de conselho, longe do dia a dia de quem leva o cachorro à creche ou de quem cuida de pets em casa. Mas o que o CFMV e os CRMVs fiscalizam, e a forma como vão se organizar e prestar contas, afeta diretamente a qualidade dos serviços que tutores contratam e a rotina de petsitters, creches e hotéis. Neste texto explicamos o que foi assinado, por que isso aconteceu agora e, principalmente, o que você pode fazer na prática, seja tutor ou profissional.
O contexto: o que é o Compromisso Cidadão e por que o CFMV entrou
O CFMV é o conselho federal que, junto com os Conselhos Regionais (CRMVs), forma o Sistema CFMV/CRMVs, responsável por fiscalizar o exercício da Medicina Veterinária e da Zootecnia no país. Ele não substitui a vigilância sanitária nem o alvará municipal e não investiga crimes de maus-tratos; seu foco é quem pratica atos privativos da profissão e em que condições.
Segundo o comunicado do próprio CFMV, a adesão ao Compromisso Cidadão decorre do Acórdão nº 309/2026 do Plenário do TCU, fruto de uma auditoria sobre como os conselhos federais coordenam e supervisionam os conselhos regionais. Essa auditoria apontou desafios de governança, planejamento, padronização de procedimentos e integração de informações. Em linguagem simples: cada regional pode acabar trabalhando de um jeito, com bases de dados que não conversam entre si.
O plano de ação de dois anos prevê, segundo o CFMV, fortalecer a governança e a coordenação nacional, aprimorar os procedimentos de fiscalização, integrar tecnologia e bases de dados, ampliar a transparência e o acesso público a informações, realizar ações de comunicação e educação para a sociedade e elaborar diretrizes nacionais de gestão e fiscalização. A coordenação interna ficará com a Controladoria do CFMV, e o TCU atuará como articulador e facilitador, dentro de seus limites institucionais. O avanço será acompanhado por indicadores, com implementação gradual.
Vale um cuidado importante: o termo não cria obrigação nova para tutores nem para estabelecimentos. É um compromisso institucional do conselho. O efeito para o público virá, se vier, por meio de fiscalização mais padronizada e de mais informação aberta. Tudo isso ainda será construído ao longo de 2026, 2027 e 2028, e os detalhes dependem do plano que o CFMV detalhar.
O que muda na prática para o TUTOR
Para o tutor, o ganho potencial é de transparência: com o tempo, deve ficar mais fácil saber quem é quem. Enquanto isso não chega, há atitudes que já funcionam hoje.
- Confirme o responsável técnico. Se o local oferece serviços veterinários (consulta, medicação, banho terapêutico, procedimentos), pergunte quem é o médico-veterinário responsável e confira o registro no CRMV do seu estado. Creche e hotel sem serviço clínico nem sempre exigem o mesmo, mas o estabelecimento deve saber explicar qual é a sua situação.
- Peça tudo por escrito. Protocolo de emergência, clínica de referência, política de vacinas exigidas, regras de medicação e o que acontece se o pet adoecer. Documento claro vale mais do que promessa de balcão.
- Não deixe o estabelecimento medicar sem prescrição. Medicamento veterinário só deve ser administrado com receita ou orientação do seu veterinário. Se o local oferece "dar o remedinho" sem pedir receita, desconfie.
- Saiba para onde reclamar. Problemas de exercício ilegal ou de conduta de médico-veterinário vão ao CRMV do estado. Suspeita de maus-tratos vai à polícia e ao Ministério Público; condições sanitárias do local, à vigilância sanitária municipal. Registrar a ocorrência no canal certo evita que a denúncia se perca.
- Guarde provas. Contrato, mensagens, fotos, comprovantes e laudo do veterinário que atendeu o pet depois de um incidente.
O que muda na prática para o PETSITTER, a creche e o hotel
Se a fiscalização ficar mais padronizada, a diferença entre o estabelecimento que se organizou e o que improvisou aparece mais rápido. A recomendação é se preparar agora, sem esperar o plano de ação ser detalhado.
- Defina com clareza o que você faz e o que não faz. Hospedagem, creche, passeio e transporte são cuidado e manejo. Diagnosticar, prescrever, vacinar ou fazer procedimento invasivo são atos da Medicina Veterinária. Escreva essa linha no contrato e nas redes sociais.
- Se há serviço técnico, tenha o responsável técnico regularizado. Registro da empresa e do profissional no CRMV, quando aplicável, deve estar em dia e a certidão visível. Em caso de dúvida sobre se o seu negócio precisa, consulte o CRMV do seu estado por escrito e guarde a resposta.
- Monte a pasta de conformidade. Contrato e termo de responsabilidade, alvará, licença sanitária, comprovante de limpeza e desinfecção, protocolo de emergência, lista de vacinas exigidas, fichas de cada pet e registro de medicação autorizada. Em dia, tudo isso resolve a maior parte das visitas.
- Tenha uma clínica de referência. Nome, telefone e endereço, combinados previamente, e autorização do tutor para atendimento de urgência.
- Registre rotina e incidentes. Quem entrou, quem saiu, o que comeu, medicação dada com autorização, brigas, fugas, mal-estar. Registro datado é sua melhor defesa e também melhora o serviço.
- Treine a equipe. Cuidadores precisam saber o limite do que podem fazer e quando acionar o tutor e o veterinário.
- Acompanhe os canais oficiais. Normas e orientações do seu CRMV e do CFMV mudam; quem lê os comunicados não é pego de surpresa.
Um sistema de gestão ajuda porque concentra contratos, vacinas, fichas e histórico de cada pet num só lugar, o que facilita comprovar a organização caso alguém peça. Mas a ferramenta só vale se o processo existir.
Perguntas frequentes e erros comuns
O acordo cria novas exigências para creches e hotéis? Não. É um compromisso do conselho com o TCU para melhorar coordenação, fiscalização e transparência. Qualquer mudança concreta virá em normas do próprio sistema, que precisam ser acompanhadas.
Creche ou hotel pet precisa de médico-veterinário? Depende das atividades e da regulamentação do seu estado e município. Se o local presta serviço que é ato privativo da profissão, sim. Quando não há certeza, a consulta formal ao CRMV é o caminho mais seguro.
O tutor pode denunciar um estabelecimento? Pode, no canal correspondente ao problema: CRMV, vigilância sanitária, polícia ou Ministério Público, conforme descrito acima.
Erros comuns: achar que "só cuidar" dispensa qualquer formalização; misturar cuidado com ato veterinário (como dar remédio por conta própria); não ter contrato; não registrar incidentes; confiar em fórmula pronta de internet sem checar a regra do seu estado.
Checklist rápido
Tutor:
- Perguntei quem é o responsável técnico e conferi o registro, quando aplicável?
- Tenho contrato e protocolo de emergência por escrito?
- Sei a quem recorrer em caso de problema?
Petsitter, creche ou hotel:
- Meu contrato diz claramente o que faço e o que não faço?
- Registros no CRMV e licenças estão em dia e acessíveis?
- Tenho clínica de referência e autorização de urgência assinada?
- Registro incidentes e medicações com data e responsável?
- Equipe treinada sobre os limites de atuação?
- Acompanho os comunicados do CRMV do meu estado?
Conclusão
O Compromisso Cidadão não muda a lei, mas sinaliza um sistema de fiscalização que pretende ser mais integrado, padronizado e transparente nos próximos dois anos. Para tutores, é motivo para exigir mais clareza; para profissionais, um bom motivo para organizar a casa antes que a cobrança chegue. Quem se prepara agora trata o assunto como diferencial de confiança, não como burocracia.
Este texto é informativo, de caráter geral, e não constitui aconselhamento jurídico. Para dúvidas sobre a situação do seu estabelecimento, consulte o CRMV do seu estado ou um advogado.
Fonte: CFMV
Leia também

Parvovirose canina: o que 79 mil casos revelam e o que tutores e petsitters devem fazer
Parvovirose canina: o que 79 mil casos revelam e o que tutores e petsitters devem fazer
Ler
Obesidade pet: o que especialistas alertam e como tutores e petsitters devem cuidar da alimentação na hospedagem
Obesidade pet: o que especialistas alertam e como tutores e petsitters devem cuidar da alimentação na hospedagem
Ler
Raiva em morcegos e cão positivo no Ceará: o que a campanha de Fortaleza ensina a tutores e petsitters
Raiva em morcegos e cão positivo no Ceará: o que a campanha de Fortaleza ensina a tutores e petsitters
LerComentários
Seja o primeiro a comentar 🐾
Profissionalize seu petsitter com o AuGendaFolio
Página de reservas própria, check-in com fotos, pagamentos e financeiro num só lugar.
Começar grátis